Oi gente!

Você já se pegou determinado a estudar algum fundamento e, no fim do dia, não soube como aplicar ele efetivamente em seus estudos?
Quem nunca né?

Calma! Você não está sozinho 😀

O que acontece é que muitas vezes não sabemos os motivos de estarmos fazendo algum exercício, e não saber isso compromete totalmente o seu aprendizado.

Hoje vou compartilhar aqui no blog o processo da minha última peça pessoal e como utilizei estudos que fiz para o curso “Environment Design”, do Nathan Fowkes no Schoolism durante o processo de produção. Bora lá?

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1. ESTUDO:

Um estudo muito eficaz para se estudar cor, composição e storytelling (sobre storytelling em breve teremos mais um post aqui no blog 😉 ) é fazer MASTER STUDIES.

Mas oi? que diabo é “master studies”?
São estudos conscientes da obra de grandes mestres, pessoas que atingiram um nível alto de maestria no que fazem. Músicos fazem isso o tempo todo, se você parar para pensar um pouco. Repetem composições de mestres que admiram para, no futuro, usarem esse conhecimento em suas próprias peças pessoais. O problema é que muitos artistas perdem um tempo considerável fazendo cópias de ilustrações com o intuito de estudar, mas não saber O QUÊ estão de fato estudando :/ Demorar muito em uma cópia também pode desestimular o estudante e fazer você se perder na intenção que te motivou a fazer aquele exercício, pra começo de conversa.

Então como que a gente desembola essa treta? D: (SOCORRO!)

O artista Nathan Fowkes, consagrado por trabalhos na empresa Dreamworks, Blizzard e um monte de outros lugares incríveis, costuma fazer pequenos estudinhos, rápidos e sem a pretensão de demorar mais que 30/40 minutos. Desde que iniciou esse processo, Nathan tem feito pequenos thumbnails por mais de 20 anos! (sim, você leu certo, 20 fucking anos). Segundo ele, essa prática constante criou uma biblioteca mental, ou seja, ele tem várias referências de de cores, iluminações e cenas que funcionam, usando esse material em suas próprias artes de forma intuitiva, já que teria absorvido as informações mais importantes dos estudos em um tempo não muito longo que o cansasse ou fizesse com que perdesse o foco.
Você pode olhar o blogo do artista para ver alguns de seus trabalhos e estudos 🙂

2. THUMBNAILS:

Quando comecei o curso de Nathan no Schoolism, o primeiro exercício era exatamente este: fazer estudos rápidos de obras que nós realmente admiramos, em um tempo curto. Chamamos esses pequenos quadradinhos de thumbnails. Aí vão alguns dos meus estudos para o curso:

 

3. APLICANDO O CONHECIMENTO:

Uma das coisas que o ilustrador brasileiro Mike Azevedo sempre fala é: aplique seus estudos em peças pessoais.
“Quais as vantagens disso?” Você deve estar se perguntando.
Bom, quando você aplica algum conhecimento, você fixa ele melhor na sua cabeça e memória visual, além de produzir mais peças para seu portfólio, o que é sempre muito importante.

Algumas das coisas que aprendi nos estudos de thumbnails:

Não é muito agradável que escureça com preto e clareie suas peças com branco;

– Procure manter uma homogeneidade de cores e tons nas áreas que não deseja chamar atenção do seu público e coloque contraste (de luz, sombra, forma, etc) onde pretende que ele concentre a atenção.

Não renderize com detalhes todas as áreas da sua ilustração. Se tudo chama atenção, nada chama atenção. E, como o grande Hiro Kawahara já dizia: o mais importante é que sua peça não fique com a sensação de um pastel de feira.

4. COMEÇANDO A ILUSTRAR:

Uma das partes mais importantes do seu processo é o sketch. A ideia é o coração do seu desenho, e é onde você terá maior liberdade de mudar e experimentar. Dedique um tempo a pensar fora da caixa, buscar temas que realmente representem os seus gostos, a sua voz, e explore bastante.
Não deixe de consertar perspectiva, anatomia e composição nessa etapa. NÃO DEIXE PARA FAZER ISSO na colocação de cores e finalização.

Aí vão alguns dos meus esboços rápidos tentando achar uma composição interessante para a peça:

A partir de então eu tinha um esboço escolhido, com cores que me agradavam e que eu tinha trago dos meus estudos no curso do Nathan Fowkes e que compartilhei com vocês.

5. REFERÊNCIAS:


Existe um mundo de artes e artistas legais onde você pode se inspirar, mas isso também pode ser um buraco negro que vai te engolir.

Cuidado para não passar horas procurando por referências e deixar o que realmente importa, seu desenho, de lado nesse processo.

Eu costumo fazer mapinhas de referências e vou me guiando por ele. Se surgir a necessidade por mais alguma arte no meio do processo, eu encaixo nele e não fico com muitas imagens abertas no photoshop, tudo fica juntinho no mesmo arquivo.

6. PROCESSOS:

Eu sou uma artista que gosta muito de ter o conforto da linha no papel antes de começar a finalizar, então, comecei os traços em cima da minha base de cor (aquele thumbnail esboçado ali em cima). Infelizmente não tenho o processo de linha em separado para mostrar pra vocês, mas posso dizer que fiz os traços em cima da base de cor, e, depois disso fui devagar definindo o meu primeiro plano. A minha intenção era que o foco da imagem estivesse nos dois personagens nas sombras, em primeiro plano, então deixei o urso e a garota com cores quentes, esfriei as sombras com azul (e não preto absoluto) e o bg (fundo da imagem, background) ficou mais homogêneo, com ocres e verdes, sem muita definição.

Um erro comum que cometemos no começo é achar que devemos renderizar e finalizar de forma realista cada pedacinho da nossa imagem. Bobagem! Isso vai deixar tudo mais confuso e, olha a ironia, menos realista. Então usei os brushes da Tonko House para fazer o fundo. São brushes com muita textura, excelentes para dar um ar mais abstrato.

7. INSPIRAÇÃO:


Muitas das minhas ilustrações pessoais tomam forma a a partir de uma música, livro ou filme que me toca em determinado momento da vida.
Quando iniciei essa arte, eu estava vendo videos do grande mestre Aaron Blaise sobre desenhar ursos e decidi que uma ilustração com um tom mais indígena.

Busquei músicas indígenas para ouvir enquanto desenhava e comecei a ler o incrível livro: “Enterrem meu coração na curva do rio”, de Dee Brown. O livro é um clássico e conta as barbaridades cometidas nas guerras índias que dizimaram dezenas de povos que só queriam manter o direito de viverem onde seus antepassados e coração estavam. O livro é pesadíssimo, conta com documentos e referências históricas bem como traduções de palavras dos chefes indígenas de diversas tribos. Altamente recomendado!

Vou deixar uma listinha de coisas que me inspiraram durante a produção dessa arte aqui embaixo, caso tenha algum interesse:

Documentário “BEARS”
Curso “How to Draw Bears”, Aaron Blaise.
Livro “Enterrem meu coração na curva do Rio”, Dee Brown. 

Musicas nativas
Livro Queda do céu, Davi Kopenawa e Bruce Albert 

IMAGEM FINAL:

Aí vai o resultado final (em maior resolução aqui!) 😀

Espero que tenham gostado! Nos vemos no próximo post! 😉